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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ótica financeira do aquecimento global


Sob a ótica financeira adotada pelos países industrializados, trocar os compromissos ambientais por títulos financeiros será fatalmente vantajoso para os mais ricos, que poderão, por exemplo, obter vantagens através de venda tecnologia usada nesse processo. Para cumprir os seus compromissos, os 32 países mais industrializados listados no anexo I do Protocolo de Kyoto, grandes poluidores poderiam pagar ao invés de reduzir as suas emissões e, assim, lançar mão do argumento que estariam contribuindo da mesma forma para a redução global de emissões.

Exemplo de projetos:

Holanda financia usina elétrica movida a biomassa, com potencial de 8 MW de energia gerada a partir da queima da casca de arroz no Rio Grande do Sul. A Bioheat International (trader holandesa) negociou os créditos de carbono com a Josapar e com a Cooperativa Agroindustrial de Alegrete no valor de cinco dólares por tonelada de carbono. A Holanda é país integrante do Anexo 1 da Convenção e pretende atingir metade das suas metas de reduções internamente e a outra metade no exterior .

Projetos de aproveitamento do gás metano liberado por lixões das empresas: Vega, de Salvador, BA e Nova Gerar, de Nova Iguaçu, RJ. O gás metano é canalizado e aproveitado para gerar energia, deixando de ser liberado na atmosfera naturalmente pela decomposição do lixo. A pesar de o gás ser o metano, a redução de emissões é calculada em dióxido de carbono: 14 milhões de ton de CO2 em 16 anos para a Vega e 14 milhões de ton de CO2 para a Nova Gerar em 21 anos.

Projeto Carbono Social, localizado na Ilha do Bananal, TO, esse projeto reúne as qualidades de seqüestro de carbono em sistemas agroflorestais, conservação e regeneração florestal com enfoque principal no desenvolvimento sustentável da comunidade. A princípio o projeto não pretendia reivindicar créditos de carbono e foi financiado pela instituição britânica AES Barry Foundation e implementado pelo Instituto Ecológica. A meta inicial de conservação do estoque e seqüestro de carbono era de 25.110.000 ton de C em 25 anos, mas pela não concretização de parcerias esse estoque de C foi drasticamente reduzido (Fixação de Carbono: atualidades, projetos e pesquisas, 2004; Carbono Social, agregando valores ao desenvolvimento sustentável, 2003);

Projeto Plantar, primeiro projeto brasileiro do Fundo Protótipo de Carbono. Com cunho comercial, essa empresa de reflorestamento nasceu com incentivos de plantação de eucalipto no fim dos anos sessenta e mais tarde para aproveitar a matéria prima entrou para o setor siderúrgico. Seus créditos são provenientes da substituição de uso do carvão mineral para vegetal, melhoria dos fornos de carvão pela redução da emissão do metano e reflorestamento de 23.100 hectares com eucalipto, totalizando 3.5 milhões de ton de C.

O MDL, sob esta ótica econômica, pode estimular, por outro lado, os países muito pobres a ganhar recursos financeiros sem esforço, vendendo as suas florestas como sumidouros, isto é, como se fossem seus bens particulares, recursos que na realidade, são da natureza do planeta e patrimônio comum da humanidade. A preocupação com os mecanismos que permitirão a compra e a venda de Certificados de Emissões de Carbono nas bolsas de valores vem crescendo, esperando-se a comercialização internacional de créditos de emissão de carbono - que terá uma demanda prevista de 20 bilhões de dólares anuais.

O que nos interessa, entretanto, são os mecanismos de desenvolvimento limpo, que possibilitarão recursos financeiros para projetos em países em desenvolvimento para uma efetiva redução das emissões de carbono. É preciso não perder de vista que o esforço de expansão econômica do Brasil de forma sustentável deve reforçar o perfil ambientalmente saudável da matriz energética brasileira, incluir novo e mais eficiente processos industriais, substituir combustíveis poluentes e usar bio-combustíveis renováveis ou biomassa vegetal, bem como as outras fontes de energia limpa como a solar, hidroeletricidade ou eólica ao lado de um amplo programa de revegetação de áreas historicamente degradadas. O Brasil, que teve papel importante na definição e negociação da proposta do MDL, deve se engajar nas determinações do Protocolo de Kyoto objetivando a melhoria do clima do planeta e não como uma mesquinha tentativa de "tomar uns trocados" dos países industrializados. Na esfera das relações econômicas as variáveis quantitativas habitualmente são utilizadas para espelhar a performance de produtos e serviços. Os problemas ambientais, no entanto, são infinitamente mais complexos.
A abordagem economicista do problema do aquecimento climático preocupa-se excessivamente, por exemplo, com o fim das reservas de petróleo e justifica assim, a busca de tecnologias alternativas para substituí-lo. Mas por que não considerar a hipótese de que o petróleo não esteja no limite de exaustão de suas reservas e que o aumento insustentável da poluição e o aquecimento global poderão atingir níveis tão elevados quando nos aproximarmos do fim das reservas que o mundo correrá o risco de chegar ao fim antes de queimarmos o último petróleo?

O efeito estufa e o mecanismo de desenvolvimento limpo


O processo de aquecimento global do planeta – o efeito estufa – resultante do bloqueio da radiação de calor efetuado pelos gases, impedindo a sua volta para o espaço e aquecendo a superfície terrestre, tem como conseqüências mudanças climáticas e a previsão de aumento de temperatura média global da Terra em até 4,5o C nos próximos 100 anos.

Embora a maioria dos gases do efeito estufa seja também produzida pela natureza, o acréscimo derivado da atividade industrial conduz (ou conduziu) ao desequilíbrio da natural sustentabilidade. A natureza produz gases de efeito estufa, mas nela existem também processos que os absorvem.

O conjunto é sustentável quando a velocidade na produção dos gases é menor do que a velocidade que a natureza age para compensar os danos decorrentes da sua permanência prolongada na atmosfera. O dióxido de carbono (CO2), em especial tem efeitos danosos para o meio ambiente, principalmente devido à velocidade crescente com que vêm produzidos para atender às necessidades do modelo consumista da vida atual. A concentração de CO2 vem crescendo a taxa de 0,4 % ao ano. Estima-se que as atividades humanas lancem 5,5 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera atualmente.

A mudança do clima e as suas causas são problemas que vem sendo estudados de maneira significativa há mais de duas décadas. Chefes de Estado de quase todos os países, preocupados com as alterações no clima do nosso planeta, reuniram-se no Rio de Janeiro em 1992. A Convenção Internacional para a Melhoria do Clima realizada durante o ECO 92 definiu que o problema é global.

A Terceira Conferência dos Países que ratificaram a Convenção Internacional do Clima, realizada em Kyoto, Japão, em dezembro de 1997, procurou encontrar um mecanismo que conduzisse à retomada da sustentabilidade, tendo em vista os diferentes níveis de desenvolvimento em que se encontram os vários países do mundo. Foram atribuídas responsabilidades específicas e diferenciadas pelo efeito estufa, levando–se em conta que os países industrializados são os que mais produzem gases de efeito estufa, enquanto que os países em processo de desenvolvimento econômico apresentam uma quantidade maior de sumidouros naturais e emitem uma quantidade proporcional bem menor desses gases. Assim, foram consideradas duas vertentes: a primeira seria orientada para a redução da emissão dos gases de efeito estufa; a segunda seria o reforço da atuação da natureza através da neutralização natural dessas emissões em sumidouros naturais como as florestas.

Esse mecanismo visa estimular a participação de todos no esforço global da melhoria do clima, consubstanciado em um compromisso dos países industrializados em reduzir a emissão líquida dos gases de efeito estufa, quer através da redução de emissões brutas quer pelo aumento dos sumidouros. Na Conferência de Kyoto, foi criado o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL. Através dele, os países considerados ricos podem, através de compensações financeiras aos países em desenvolvimento, contabilizar créditos nos casos em que as suas emissões de gases excedam as cotas pré-estabelecidas.

Esses recursos seriam destinados a investimentos em projetos de reflorestamento, por exemplo, que contribuem para reduzir a presença de carbono na atmosfera. Embora as florestas primárias não estejam incluídas nos projetos do MDL, só a floresta amazônica, segundo dados do INPE, retira da atmosfera cerca de 6 quilos de carbono por hectare por dia, o que generalizado esse número para toda a Amazônia, significa que a floresta brasileira estaria seqüestrando 850 milhões de toneladas de carbono por ano. As reduções de emissões poderiam ser vendidas para outros países visando baixar os custos da implantação de tecnologias não poluentes. Os países compradores poderiam utilizar os certificados de redução de emissão para cumprir os seus compromissos.

Seqüestro florestal do carbono refere-se ao processo de mitigação biológica das plantas de absorver o CO2 do ar e fixá-lo em forma de matéria lenhosa. No início dos anos 90 este mecanismo de seqüestrar o carbono foi lançado na Convenção do Clima da ONU como um instrumento de flexibilização dos compromissos de redução das emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) dos países com metas de redução. Trata-se de uma das modalidades dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto para compensar os compromissos de redução de emissão para mitigar as mudanças climáticas. Este mecanismo estabelece, também, que os projetos MDL devem contribuir para o desenvolvimento sustentável do país hospedeiro ao critério de seu governo. Portanto, no que diz respeito à pertinência dos projetos MDL ao país, estes devem passar pela aprovação dos respectivos governos nacionais, segundo suas necessidades e prioridades específicas, a depender de sua matriz energética, condições geomorfológicas e inserção político-econômica de cada país.

O seqüestro florestal do carbono envolve, de um lado, governos de países e/ou empresas transnacionais intensivas em emissão com compromisso de redução especificado pela convenção do clima. Estes financiam os projetos de seqüestro de carbono para obter os créditos de carbono visando compensar parte das emissões. De outro lado, estão as empresas, sociedade civil, ONGs ou governo de países em desenvolvimento, interessados em hospedar estes projetos, com o intuito de obter esses recursos para variados fins.

Em Kyoto, foi estabelecido um critério econômico para estimular a necessária cooperação global do conjunto dos países. É possível, porém, que a natureza do problema seja diferente da natureza da solução proposta, que tem uma abordagem essencialmente econômica. O problema é de natureza ambiental predominantemente. A solução proposta é inadequada para tornar factíveis as recomendações do Protocolo de Kyoto, pois não cria uma consciência global de que é necessário diminuir a emissão de gases de efeito estufa a níveis compatíveis com a capacidade da natureza de absorvê-los.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Influência das queimadas da Amazônia sobre o efeito estufa


1. INTRODUÇÃO

A emissão e acumulação de gases como o dióxido de carbono na atmosfera, é conhecida mundialmente como efeito estufa, ou de uma maneira mais simplificada como o aquecimento da terra pela emissão excessiva de gases poluentes.
Entre as principais causas do efeito estufa estão: a queima de combustíveis fósseis (tanto a nível industrial como urbano); a devastação e queima de áreas florestais como a floresta Amazônica; a associação destes e outros processos. Sendo assim, existem muitas controvérsias e muitas teorias sobre este assunto, onde algumas entidades ecológicas intitulam as queimadas da Amazônia como um dos principais causadores do efeito estufa.
Sendo assim o presente trabalho pretende demonstrar de maneira sucinta as diferentes interpretações sobre as causas e consequências das queimadas na Amazônia sobre o efeito estufa.

2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Segundo LEGGET (1992), gases-estufa são aqueles que provocam a retenção da radiação infravermelha na atmosfera, aquecendo assim a superfície da Terra e camada inferior da atmosfera (Figura 01). Traços destes gases têm estado na atmosfera durante a maior parte da história da terra. O vapor d’água, por sua abundância, é de longe o mais importante gás natural causador do efeito estufa. O dióxido de carbono (CO2), o segundo gás-estufa em importância, é lançado na atmosfera de maneira tanto natural quanto não natural. Vem sendo lançado de maneira natural pelos vulcões ao longo da história da Terra, percorrendo os vários ciclos que o carbono segue na natureza. Se não fosse a presença do CO2 a temperatura na superfície da Terra seria cerca de 33 oC mais baixa do que é hoje (tornando-se nociva a vida). Mas o CO2 também entra na atmosfera de forma não natural em decorrência de atividades humanas habituais, principalmente queima de combustíveis fósseis e destruição das florestas. Além do CO2, existem outros gases que são de extrema importância no contexto do efeito estufa.

2. PRINCIPAIS GASES-ESTUFA DA ATMOSFERA

2.1 Vapor d’água

Segundo TUBELIS & NASCIMENTO (1986), as fontes naturais do vapor d’água são as superfícies de água, gelo e neve, a superfície do solo, as superfícies vegetais e animais. A passagem para a fase de vapor é realizada pelos processos físicos de evaporação e sublimação, e pela transpiração.
Segundo OMETTO (1981), o vapor d’água é um dos dos constituintes variáveis do ar atmosférico, chegando a ter até 4% em volume. TUBELIS & NASCIMENTO (1986), citam que este volume e extremamente variável e que esta variabilidade provém da extrema facilidade com que consegue mudar de fase, nas condições atmosféricas reinantes. Essas mudanças de fase são acompanhadas por liberação ou absorção de calor latente, que associadas com o transporte de vapor d’água pela circulação atmosférica, atuam na distribuição do calor sobre o globo terrestre.
Por apresentar estas características o vapor d’água é considerado o mais importante gás-estufa, além disso, com a ação do efeito estufa a atmosfera se tornará mais quente contendo uma quantidade maior de vapor d’água em decorrência de índices mais altos de evaporação.

2.2 Dióxido de Carbono (CO2 )

As principais reservas de carbono da natureza são a biota, o solo e os oceanos. A biota que consiste em toda vida sobre a superfície da Terra, dominada em termos de volume, pela vida vegetal, absorve cerca de 102 Gt (Gigatonelada = 1 bilhão de toneladas), de carbono por ano do CO2 liberado durante a fotossíntese, isto representa cerca de 14% do teor total de CO2 da atmosfera. Em contrapartida a biota devolve anualmente cerca de 30 Gt de carbono à atmosfera. A decomposição bacteriana de matéria vegetal morta, acrescenta mais 50 Gt de carbono ao CO2 devolvido à atmosfera. Há portanto certo equilíbrio no carbono trocado entre a biota terrrestre e a atmosfera, sendo retidas por ano talvez 2 Gt de carbono na biota terrestre.
Nos oceanos o CO2, também é absorvido da atmosfera, em decorrência de processos tanto químicos como biológicos. O dióxido de carbono é recebido em solução sob a forma de íons de bicarbonato de, enquanto os fitoplânctons são sorvedores de dióxido de carbono em decorrência da fotossíntese. Um total de 92 Gt de carbono por ano é absorvido da atmosfera desta maneira. Das águas superficiais, perto de 90 Gt de carbono são devolvidas à atmosfera a cada ano. Por processos físicos e biológicos: liberação de dióxido de carbono diretamente das águas marinhas por difusão em decorrência da respiração dos fitoplânctons, ficando cerca de 2 Gt retidas anualmente nos oceanos.
Sendo assim, sem interferência humana, o carbono na natureza estaria em equilíbrio, sendo que o excedente de carbono que fica armazenado voltaria a natureza pela ação dos vulcões. Entretanto a ação do homem, desequilibra este ciclo, desde a revolução industrial.
A queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), gera anualmente mais de 5,7 Gt de carbono na atmosfera, a estas devem ser acrescidas mais 2 Gt, provenientes da queima e derrubada de florestas. Este carbono mais o captado pelos oceanos e pela biota, resultam em um aumento líquido de 3 Gt de carbono por ano na atmosfera. Em outras palavras, desde 1860 os seres humanos lançaram cerca de 175 Gt de carbono na atmosfera.
Extrapolando estes números para 200 anos, a contar do início da era industrial, o homem poderá lançar mais carbono na atmosfera do que já existe atualmente na massa total de seres vivos do planeta. Além disso, devem ser consideradas as reservas de petróleo e carvão que se foram totalmente exploradas pelo homem aumentaram em 2.000 Gt o carbono da atmosfera, mais do triplo do que existe atualmente na atmosfera.
Quanto aos efeitos disto sobre a temperatura da Terra é impossível precisar o que acontecerá, pois deve ser considerado que além dos combustíveis fósseis existem as retroalimetanções para o sistema climático.

2.3 Metano (CH4)

O metano é o segundo gás-estufa em importância, produzido durante a decomposição anaeróbica. As principais fontes de metano são arrozais, pântanos, animais domésticos ou não, cupins, gás natural e outros meios anaeróbicos. A taxa de metano na atmosfera aumenta 1% ao não, sendo pouco conhecidas as causas deste aumento. Algumas delas podem ser o aumento dos rebanhos domésticos, a expansão de cultura de arroz e principalmente os vazamentos de gás natural ou aterros. A permanência do metano na atmosfera e pequena (menos de 10 anos), sendo consumido na atmosfera e em menor escala no solo. O metano tem um potencial de aquecimento global de 63 num período de 20 anos, ou seja, 1 Kg de metano nesse período produzirá 63 vezes o aquecimento global de 1 Kg de dióxido de carbono, portanto o metano e 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono.

2.3 Óxido Nitroso

Como gás-estufa o óxido nitroso é ainda mais potente que o metano, e sua eficácia é cerca de 230 vezes superior à do CO2. O óxido nitroso é produzido nos solos, acredita-se virem dos solos 90% das emissões de N2O. É grande a possibilidade de o N2O concorrer para o aquecimento global, por ser um absorvente eficaz de radiação infravermelha e permanecer muito tempo na atmosfera. O principal meio de dissipação deste óxido é a luz ultra violeta estratosférica, que o destroi, porém essa dissipação e bastante lenta podendo demorar até 150 anos. De maneira geral pouco se sabe sobre a quantidade real de N2O que existe e quais seriam seus efeitos sobre o aquecimento do planeta.

3. EFEITOS DO DESMATAMENTO SOBRE O EFEITO ESTUFA

3.1 Considerações gerais sobre a região Amazônica

A região Norte do Brasil é composta pelos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Pará e Amapá. Esta região ocupa uma área de 3.858.502 Km2, ou seja 45,33% da área total do Brasil e nela concentra-se a floresta amazônica dona de uma das maiores diversidade biológicas do planeta. Paralelamente a toda esta grandeza territorial e riqueza natural, nestes estados encontra-se uma das populações mais pobres do Brasil, que historicamente convivem com a floresta, sendo o fogo um dos seus principais aliados para sobrepor a floresta quando isto se faz necessário. Portanto as queimadas na Amazônia, tem grande importância na limpeza de áreas para a agricultura de subsistência da região, fazendo parte da cultura do povo desta região.
Entretanto nos últimos anos a Amazônia passou a ser considerada internacionalmente como a campeã mundial de queimadas, o que evidentemente não é ocasionado pela agricultura de subsistência, mas sim por outras atividades que passar a fazer parte do dai a dia desta região. Além disso, deve ser lembrado que no Brasil existem outras regiões onde a queima e praticada, comprovando que as queimadas não são uma exclusividade da região Amazônica.

3.1 Análise do efeito das queimadas em florestas tropicais, pelo grupo ecológico GREENPEACE

Dos 8.511.960 Km2 do Brasil, quase 2,9 milhões eram cobertos pela floresta Amazônica até o final da década de 60. Hoje, a extensão florestal do país foi reduzida a cerca de 2.200.000 Km2. Mesmo com essa redução, o Brasil ainda é o responsável por 27,5% de todas as florestas tropicais do mundo.
O padrão de desmatamento da Amazônia brasileira é bastante diferenciado. Alguns trechos estão perdendo rapidamente sua cobertura florestal, enquanto outros continuam praticamente intocados, o caso de desmatamento mais progressivo ocorreu no estado de Rondônia, que em 1980 tinha 8.000 km2 de área desmatada, passando a 60.000 km2 em 1987. De maneira geral a Amazônia teve seu desmatamento acentuado a partir de 1980. Em 1975 foi estimado que 29.000 km2 tinham sido desmatados, passando para 125.000 km2 em 1980 e 400.000 km2 em 1988, ou seja 69% dos desmatamento ocorreu a partir de 1980.
O desmatamento leva a liberação de grandes quantidades de carbono proveniente da biomassa na atmosfera da terra, onde se transforma no dióxido de carbono, que é o gás responsável por quase metade de efeito estufa. Além disso, são liberadas grandes quantidades de outros gases causadores do efeito estufa como o metano e o óxido nitroso.
A atual liberação de carbono proveniente de qualquer tipo de floresta tropical deve ser comparada ao total de emissões de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis no mundo inteiro (principalmente nos países menos desenvolvidos), estimadas em 5,6 bilhões de toneladas métricas em 1989. Portanto, as florestas tropicais são responsáveis por 30% da concentração de dióxido de carbono na atmosfera global, concentração que por sua vez é responsável por metade do aquecimento global. Quando acrescentamos outros gases-estufa emitidos pelo desmatamento das florestas tropicais, o metano e o óxido nitroso, a contribuição geral do desmatamento das florestas para o aquecimento global pode ser estimada em cerca de 18 a 19%, talvez mais. Além disso, a contribuição dos desmatamentos para a concentração de CO2,, parece estar crescendo mais do que a dos combustíveis fósseis. Extrapolando essa tendência, no início do próximo século as florestas tropicais poderiam alcançar um pico de 5 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, diminuindo a partir dai, pois não haveria mais florestas para serem destruídas.
Deste total de dióxido de carbono, liberado na atmosfera pela queima das florestas tropicais, atualmente a floresta Amazônica representa 32,1% ou seja o maior percentual entre todas as florestas tropicais do mundo.

3.2 Comparação entre a análise das queimadas na Amazônia, segundo a visão do GREENPEACE e do autor KIRCHHOFF

O autor em questão, como os pesquisadores que escreveram o relatório do GREENPEACE sobre aquecimento global também consideram as queimadas como produtoras de CO2,, causando enormes prejuízos às plantas e animais da região, fato que futuramente pode vir a comprometer a composição e a qualidade da atmosfera, contribuindo também para o efeito estufa. Porém os números dados por este autor são menos alarmantes que os do GREENPEACE. Enquanto o GREENPEACE, garante que as queimadas na região tropical representam 30% do dióxido de carbono lançado anualmente na atmosfera. KIRCHHOFF afirma que as queimadas em todo mundo representam 25% do CO2 produzido por todas as fontes de produção, sendo as queimadas da região tropical reponsáveis por apenas 11,2%, deste total de combustíveis.
Segundo o GREENPEACE, a percentagem de 30% do CO2, produzido pelas florestas tropicais representa metade do aquecimento global, enquanto que para o outro autor as queimadas contribuem de maneira global para o efeito estufa, porém não de forma expressiva.
Para KIRCHHOFF, a região da Amazônia não é o principal responsável pelo processo de emissão de gases para a atmosfera, alertando para que a legislação brasileira proíba as queimadas, além de reduzir a queima de combustíveis fósseis. Porém, para o GREENPEACE, a floresta amazônica representa 32,1% das queimadas na região tropical e consequentemente um terço do dióxido de carbono lançado na atmosfera anualmente.

4. CONCLUSÃO

Se analisarmos a emissão de gases na atmosfera, como uma consequência para o aquecimento da Terra, encontraremos evidências cientificas que comprovarão este fenômeno, bem como são indiscutíveis as evidências de que as queimadas emitem um grande número de gases que passam a funcionar na atmosfera como gases-estufa. Porém, na maioria dos casos a maior parte das informações que tentam prever as consequências do efeito estufa, são baseadas em teorias que ainda precisam ser comprovadas.
Este fato é admitido inclusive no relatório do grupo GREENPEACE, que ao tentar demonstrar que a Terra esta tendo um aquecimento acelerado e que uma das causas deste aquecimento são as queimadas admite, em muitos momentos que pouco se sabe sobre as reais consequências do efeito estufa. Além disso, deve ser considerado que a emissão de CO2 na verdade e muito mais intensa e constante nas áreas urbanas do que em regiões como a Amazônia. Isto deve-se ao fato de que nas zonas urbanas as indústrias e a circulação de automoveis tem um ritmo acelerado e constante, ao passo que as queimadas antes de tudo estão relacionadas ao clima.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Aquecimento Global pode aumentar doenças de transmissão hídrica


Washington - As mudanças climáticas podem aumentar a exposição das pessoas a doenças transmitidas pela água procedente de oceanos, lagos e ecossistemas costeiros, e o impacto já poderá ser sentido em algunos anos, alertaram este sábado cientistas americanos reunidos em uma conferência em Washington.

Vários estudos demonstraram que as mudanças no clima provocadas pelo aquecimento global tornam os ambientes marinhos e de água doce mais suscetíveis à proliferação de algas tóxicas, e permitem que micróbios e bactérias nocivas à saúde se multipliquem, informaram cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

Em uma pesquisa, pesquisadores da NOAA fizeram modelos de oceanos e do clima para prever o efeito nas florações de 'Alexandrium catenella', que produz a tóxica "maré vermelha" e pode se acumular em mariscos e causar sintomas como paralisia e inclusive ser mortal para os humanos que comerem os moluscos contaminados.

"Nossas projeções indicam que no fim do século XXI, as florações podem começar até dois meses antes no ano e persistir um mês depois, em comparação com o período atual, de julho a outubro", disse Stephanie Moore, um dos cientistas que trabalhou no estudo.

No entanto, o impacto poderá ser sentido muito antes do final do século, já em 2040, informou a especialista na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

"As mudanças na temporada de floração das algas nocivas parecem iminentes. Esperamos um aumento significativo em Puget Sound (na costa do estado americano de Washington, onde foi feito o estudo) e ambientes similares em situação de risco dentro de 30 anos, possivelmente na próxima década", disse Moore.

Em outro estudo, cientistas da Universidade da Geórgia descobriram que a areia do deserto, que contém ferro, ao se depositar nos oceanos, estimula o crescimento de 'Vibrios', grupo de bactérias que podem causar gastrointerites e doenças infecciosas em humanos.

A quantidade de areia com ferro depositada no mar aumentou nos últimos 30 anos e espera-se que continue aumentando, segundo registros de chuvas na África ocidental.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Relação entre terremoto e aquecimento global


Recentemente, o pesquisador Giampiero Iaffaldano da Universidade Nacional da Austrália, trabalhando em conjunto com cientistas da Alemanha e da França, conseguiu fortes evidências de que as mudanças climáticas, ao longo de milhares de anos, podem girar as placas tectônicas e causar sismos.

Para fazer esta afirmação, eles colocaram no computador informações sobre como a estação de ventos fortes, marcada por chuvas, corroem as rochas do lado oriental, ao longo de milhares de anos, e são responsáveis pelo movimento anti-horário da placa.

O Dr. Lafaldano disse:

“O significado desta constatação situa-se no reconhecimento, pela primeira vez, que ao longo do tempo as mudanças climáticas têm o potencial de influenciar o movimento das placas tectônicas. E quando as placas se deslocam os terremotos acontecem”.

Segundo o cientista esta descoberta é muito importante porque ajudará a prever com mais exatidão possíveis sismos.

“A esse respeito, temos descoberto que a mudança climática poderia ser de fato um candidato possível, algo que não consideramos até agora. Este novo conhecimento deve ser usado para analisar o comportamento passado de placas tectônicas na crosta terrestre. Em última análise, buscamos compreender o que causou movimentos das placas tectônicas e assim saberemos quais regiões estão mais propensos a terremotos de grande porte”.

“Para este fim, devemos também considerar a história do clima dos últimos milhões de anos”.– concluiu o cientista.

Independente dos cientistas ter descoberto que o terremoto é, entre outras causas, efeito do aquecimento global, é preciso que o mundo inteiro se una no sentido de conservar a natureza e os recursos naturais ou então, como disse Mikhail Gorbachev, um dia a Natureza poderá viver sem nós.

sábado, 26 de março de 2011

O grande dilema do Ser Humano


O ser humano está diante de seu maior dilema coletivo: o aquecimento global, que afeta a preservação da vida e das espécies. Ações humanas de agressão ao meio ambiente, principalmente as emissões descomedidas de gases do efeito estufa, ameaçam causar sérios danos à espécie humana e desequilibrar todo o meio ambiente do planeta Terra, um ser vivo e patrimônio de todos. Ainda a tempo de corrigir os erros dessas ações antrópicas, e para isso é premente uma imensa e dolorosa força-tarefa de diversos agentes da sociedade para mudar o cenário catastrófico que se avizinha.
A Terra possui particularidades que a distinguem dos outros planetas do sistema solar. Tem temperatura média de 14°C e, em conjunto com uma quantidade de água, relevo e oxigênio, entre outros gases, forma um ambiente propício ao desenvolvimento da vida, como se entende. No entanto, nos últimos cem anos a temperatura média do planeta aumentou 0,76º C, uma variação aparentemente desprezível. Mas todos sabem o que ocorre com o corpo humano quando sua temperatura média ideal de 36,8º. C se eleva em míseros 1º. C – estado febril que se não identificada e tratada a causa do desequilíbrio, pode até provocar o óbito.
O aquecimento global está em curso e as conseqüências mais expressivas são, em sua maioria, negativa. Muitos o descrevem, em tom dramático, como a maior crise da história da civilização. É uma questão complexa e ainda não se dispõe de todo o cabedal de conhecimento nem de todas as soluções, mas a criação e a propagação de mitos devem ser evitadas. É necessário tomar providências para resolver o problema do aquecimento global, com seus custos e benefícios, não com falsos alarmismos, mas sim com diálogo sensato, à luz da ciência, da tecnologia e da responsabilidade ética e social.
No âmbito da comunidade científica, há uma enorme controvérsia sobre um amplo fenômeno, denominado mudanças climáticas, que provocou o aquecimento global em virtude da elevação da temperatura média da superfície da Terra. Há um confronto entre duas posições diametralmente opostas: uma afirma que o ser humano produziu o aquecimento global, com conseqüências alarmantes para o planeta e que resta pouco tempo para agir; a outra sustenta que o planeta estará mais frio em poucas décadas, pelo clima ser mais influenciado por radiações cósmicas que por ações humanas. A maioria da comunidade científica e as Nações Unidas são partidárias da primeira posição, enquanto uma minoria de pesquisadores, denominados céticos, defende a outra postura.
O debate em torno da temática ecológica, por tanto tempo deixado em segundo plano pelas autoridades, é acirrado e está no centro das atenções por todo o mundo, e hoje toma proporções globais, por envolver enormes interesses financeiros, políticos, culturais e sociais.
Evitar posições extremamente exageradas, alarmistas e passionais de arautos do apocalipse é o caminho mais indicado para compreender melhor o problema. Em caso de dúvidas sobre posições tão antagônicas para um dilema tão complexo, ainda por vezes coberto de incertezas, tem de se fazer escolhas. Nesse cenário, o caminho mais correto é a ação no sentido de proteger o meio ambiente, pois na natureza não há prêmios nem punições, apenas conseqüências, e é certo que o ser humano alterou a composição química do planeta.
Ainda se desconhece os limites de tolerância da natureza e qual seu ponto de equilíbrio, mas sabe-se que muitos limites foram ultrapassados e a ciência e a tecnologia, em conjunto com forças de bom senso da sociedade organizada, vão mostrar os caminhos da preservação ambiental e da homeostase do planeta. Afinal, desde os primórdios, o homem interage com o meio ambiente em busca de equilíbrio e sobrevivência, e essa harmonia é obstruída pelo aumento populacional acelerado e consumo em larga escala dos recursos naturais.
O período Holoceno, durante o qual surgiu e se desenvolveu a civilização humana, propiciou uma extensa e longeva zona de conforto, com clima e temperatura em estado de equilíbrio e poucas mudanças abruptas. Por outro lado, vive-se um momento crítico em que o meio ambiente vem sendo firmemente conduzido para um ponto de desequilíbrio, sem retorno ao seu status quo. Todo sistema climático, dada sua não linearidade, pode desequilibrar-se de um estado para outro rapidamente, em busca de uma nova estabilidade, com conseqüências imprevisíveis, mas certamente catastróficas.
Os ecossistemas têm de ter a capacidade de resiliência ou elasticidade necessária para suportar as deformações e retomar sua forma original, a fim de fornecer alimentos, energia, água e estabilidade climática em prol do equilíbrio e da continuidade da vida. No entanto, não se respeita o tempo necessário para a recuperação do capital natural, pelo contrário, extrai-se da natureza mais que sua capacidade de restauração. Por longos anos, o ser humano tem cometido o crime de lesa-humanidade, ao transformar, modificar e agredir os quatro elementos físicos da natureza: o solo, a água, o ar e a energia solar.
Perdeu-se muito tempo na corrida pela mitigação dos danos causados pelo ser humano à natureza, um tempo que não volta mais e que certamente deixou conseqüências e graves seqüelas. É possível ver o passado, mas não modificá-lo, já o futuro pode ser influenciado, mas não se pode vê-lo. É preferível, então, que a geração atual possa ser reconhecida no futuro por ter agido de forma firme e resoluta na proteção do meio ambiente.
O futuro é construído dia após dia, pedra sobre pedra. Apesar do sistema caótico que se vive, há dados, fatos e informações que possibilitam enxergar à frente sem grandes distorções míopes, de forma a permitir a tomada de decisões seguras para oferecer às gerações futuras uma vida saudável e de qualidade.
As gerações atuais, hóspedes e não senhores da natureza, que não herdaram o planeta Terra dos avós, mas tomaram emprestados de seus filhos, devem atender às necessidades e aspirações do presente sem comprometer a capacidade de também atender às do futuro. Isso é o desenvolvimento sustentável: perene, eterno, perpétuo, que impõe limites para uma questão de sobrevivência não do planeta que se auto-regenera, mas da espécie humana. Pode ser doloroso, mas há que se fazer sacrifícios.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Radiação e Aquecimento Global


Um dos desafios da ciência é medir, com precisão, os efeitos da radiação solar no aquecimento do planeta. Agora, pesquisadores deram um importante passo para determinar a quantidade de energia que o Sol fornece à Terra, e como as variações energéticas podem contribuir para as mudanças climáticas. Em um estudo baseado em dados por satélite e experimentos em laboratório, especialistas em ciências atmosféricas descrevem uma nova e mais acurada forma de fazer essa mensuração, o que, de acordo com eles, vai ajudar a diferenciar o aquecimento provocado por causas naturais daquele causado pela ação do homem. Na primeira análise, os pesquisadores constataram que os valores registrados nos últimos 32 anos são menores do que se acreditava anteriormente. Reportagem de Paloma Oliveto, no Correio Braziliense.

“Melhorar a precisão dos dados sobre a radiação solar significa melhorar as estimativas sobre a influência do Sol no clima da Terra”, argumenta o principal autor do estudo, Greg Kopp, do Laboratório de Física Espacial e Atmosférica da Universidade de Colorado Boulder. O artigo do pesquisador foi publicado na revista especializada da União Americana de Geofísica. De acordo com ele, ainda no início deste ano, novos satélites que serão lançados na atmosfera poderão medir com um nível de confiança maior a radiação total do Sol, ajudando a resolver uma questão ainda polêmica: quão significativa é a contribuição das flutuações da energia solar no aumento da temperatura do planeta.

Com isso, argumenta Kopp, será possível entender melhor os fatores naturais versus a influência antropogênica nas mudanças climáticas. Embora a energia solar seja a fonte primária de aquecimento da Terra, é consenso entre cientistas que o planeta está cada vez mais quente, desde o advento da Revolução Industrial. “Os cientistas precisam saber exatamente quanto desse aquecimento pode ser atribuído à produção de energia do Sol, à ação do homem ou a outras forças naturais”, afirma ao Correio a co-autora do estudo, Judith Lean, do Laboratório de Pesquisas Navais de Washington.

A nova mensuração das flutuações na radiação do Sol foi possível graças a um instrumento da Agência Espacial Americana (Nasa), o Monitor de Irradiação Total (TIM, na sigla em inglês), instalado na espaçonave Sorce. O TIM, que recebeu nova modelagem ótica e foi recalibrado, conseguiu medidas mais precisas do que as registradas pelo Instituto Americano de Padrões e Tecnologia (Nist, em inglês), a agência oficial de padrões industriais dos Estados Unidos. A tecnologia de calibração fez com que o TIM saísse à frente de outros instrumentos semelhantes que, frequentemente, fornecem dados diferentes uns dos outros.

O modelo desenvolvido por Lean — e ajustado aos novos valores — reproduz com alta fidelidade as variações da radiação solar total observadas pelo TIM e indicam que os níveis recentes, comparando-se aos do passado, sofreram uma alteração quase insignificante. A estimativa da cientista é que, na conta da flutuação da energia do Sol, pode-se somar ao aquecimento global uma variação de 0,1ºC durante o ciclo solar, que dura 11 anos. “Observamos, portanto, que essa não pode ser apontada como a principal causa do aquecimento global verificado nas últimas três décadas”, diz a pesquisadora.

Nuvens
A discordância entre cientistas em relação às principais causas e conseqüências do aquecimento global também foi objeto de estudo de uma equipe da Universidade do Havaí Manoa, que acaba de sugerir uma nova abordagem para o assunto. Depois de analisar diversos modelos de clima, o principal autor, Axel Lauer, do Centro Internacional de Pesquisas do Pacífico, concluiu que há “sérias deficiências na simulação da influência sofrida pelas nuvens no clima atual”.

De acordo com ele, alguns autores defendem que a cobertura das nuvens vai aumentar com o aquecimento. Já outros modelos consideram que o contrário ocorrerá, ampliando ainda mais os efeitos negativos das mudanças climáticas. “É uma pena que a maior fraqueza dos modelos esteja justamente em um dos aspectos mais críticos de predição da magnitude do aquecimento”, observa ao Correio.

Para estudar as nuvens, os pesquisadores aplicaram um modelo representando apenas uma região limitada da atmosfera do Oceano Pacífico e de áreas terrestres adjacentes. Nesse local, as nuvens têm grande influência sobre o clima, diz Lauer, ainda que sejam pobremente representadas nos modelos atuais. Com o novo modelo, foi possível verificar até mesmo a reação das nuvens ao fenômeno El Niño. Os cientistas, então, fizeram uma simulação para identificar o comportamento das nuvens em um clima mais quente, como pode ser a Terra daqui a 100 anos. No computador, eles constataram que elas se tornariam mais finas, e a cobertura se reduziria, contribuindo para o aumento do aquecimento do planeta.

O co-autor do estudo, Kevin Hamilton, destacou, no artigo publicado pelo site especializado Science Daily, que a descoberta reforça o alerta sobre os danos provocados pelo aumento de emissões de gases de efeito estufa. “Se os resultados do nosso modelo provarem ser representativos do clima global real, então, na verdade, o clima é mais sensível aos gases de efeito estufa do que os modelos atuais predizem. Mesmo os estudos que preveem as temperaturas mais altas estão subestimando os reais efeitos das mudanças climáticas”, escreveu.

PALAVRA DE ESPECIALISTA
Relação de causa e efeito

“É um círculo vicioso. Temperaturas mais altas significam que as nuvens vão acumular mais calor, o que leva a mais aquecimento. Acredito que as chances de as nuvens nos salvarem de uma mudança climática dramática são bem pequenas. Na verdade, o provável é que elas aumentem ainda mais o aquecimento devido às atividades humanas. Podemos ter certeza de que, se continuarmos com essa trajetória de emissões de gases de efeito estufa, a temperatura vai subir muitos graus Celsius no próximo século.” Andrew Dessler, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Texas.